Sexta-feira, Outubro 30, 2009

1.3 - CAIXA POSTAL * 6ª. carta

Exmos. Leitores:
Como terão verificado, algumas páginas deste espaço correspondem a títulos de livros. À arrumação paulatina de textos subordinada àqueles títulos chamei livros em construção. Desses, foram entretanto concluídos e publicados DA HUMANA CONDIÇÃO, DO MAR E DE NÓS e O MEU CANCIONEIRO.
Ora, pretendendo acautelar os interesses dos editores, porque acreditaram na viabilidade comercial da minha actividade literária, logo sendo legítimo pretenderem o retorno possível das quantias que despenderam, irei retirar os textos aqui publicados, desde já identificando a editora, a fim de que os interessados, querendo, obtenham o(s) volume(s).
Atendendo a que a editora de DA HUMANA CONDIÇÂO já não existe, apenas será relevante considerar a editora de DO MAR E DE NÓS e de O MEU CANCIONEIRO.
Aqui indico os seus contactos:
Temas Originais, LDA.
Torre Arnado, Rua João de Ruão, 12-1 º. ESC. 19
3000-229 Coimbra
temas.originais@gmail.com
Telefone nº. 239 100 670
Os meus cumprimentos.
José-Augusto de Carvalho

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Quarta-feira, Setembro 23, 2009

3.3 - O MEU CANCIONEIRO * No lançamento deste meu livro

No lançamento do livro «O meu cancioneiro»
Cine-Teatro de Viana do Alentejo, 19 de Setembro de 2009.

 

Boa noite!

É um privilégio estar neste Cine-Teatro, que vi erguer na já distante década de quarenta do século XX.

Aqui me traz a solidária manifestação de apoio do Município à edição do livro «O meu cancioneiro».

A este gesto de solidariedade se associaram a Escola E.B. 2,3/S. Dr. Isidoro de Sousa, a CulArtes, a Oficina da Criança e todos os presentes para assinalarem o lançamento de um modesto livro de poemas que a «Temas Originais» editou e o Professor António João Valério e a Poetisa Conceição Paulino se predispuseram muito amavelmente a apresentar.

Às entidades aqui representadas, aos editores, aos apresentadores do livro e a todos os presentes aqui publicamente manifesto a minha gratidão.

Quanto ao livro, ele aqui está, disponível. Dos seus méritos e deméritos, o Juízo do Tempo decidirá, sempre com verdade, como convém. E a determinação de escrevê-lo estará justificada na pequena introdução que também redigi.

Como reiteradamente tenho afirmado, nada de relevante há a dizer de mim. Desempenhei, o melhor que pude e soube, a minha profissão.

Paralelamente, sempre escrevendo alguns versos, numa persistência que prossegue, agora, na situação de aposentado. Ontem como hoje, persigo a Poesia. Sei que é um esforço titânico, pois ela, a Poesia, se me apresenta como o horizonte — sempre à minha frente, mas nunca ao meu alcance. Que fique o esforço, já que o objectivo é demasiado!

Sem exibicionismo, apenas animado pelo espírito de uma cidadania interventora, escrevi dois textos expressamente para este momento, nas músicas tão conhecidas de “O sole mio” e “Torna a Surriento”, duas canções napolitanas mundialmente apreciadas.

Estes textos relevam a visão da sociedade que percebi na adolescência, que amadureci na idade adulta, que me acalenta na fase derradeira da vida, sempre com a mesma esperança de que, um dia, o ser humano saberá ser digno de si mesmo, num abraço fraternal do tamanho do mundo.

Até sempre!
Bem-hajam!

Viana, 19/9/2009.

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Sexta-feira, Julho 31, 2009

2.5 - DO MAR E DE NÓS * No lançamento deste meu livro — «Do Mar e de Nós»

 

Lisboa, Casa do Alentejo, 27 de Junho de 2009.

Se lançar este meu livro nesta muito amada cidade de Lisboa já é um privilégio, duplo privilégio é estar sob estes tectos da Casa do Alentejo, marco incontornável da presença alentejana na capital do país.
Bem-hajas, Lisboa, minha amada cidade de acolhimento!
Bem-hajas, Casa do Alentejo, presença física do meu Alentejo pátrio!
Estas são as minhas primeiras palavras, naturalmente de sentida gratidão.
Também estas outras de agradecimento são para os poetas e editores Xavier Zarco e Paulo Afonso Ramos, por terem acreditado na edição de «Do Mar e de Nós»
Bem-hajam, Companheiros!
Neste livro, editado sob a chancela de Temas Originais, e, agora, apresentado pelo poeta Xavier Zarco, há a nostalgia do mar e dos nossos antepassados, que, intrepidamente, quiseram, puderam e souberam projectar a Pátria para muito além dos limites estreitos, geograficamente definidos nesta faixa ocidental da Ibéria.
Desses homens grandes, nossos antepassados, disse Camões, lapidarmente, que da inexorável Lei da Morte se libertaram. E muito justamente, porque foram eles que ergueram uma Pátria que ganhou o respeito e a admiração do Mundo. E, como poucos, cumpriram-se como homens. 
Raramente os mereceram os governantes da época. E, menos ainda, os cortesãos, que, nos corredores do Paço, alimentando-se de sinecuras e de ócio, sempre se entretiveram com intrigas e invejas, anunciando a «apagada e vil tristeza» de que Camões também amarguradamente nos fala.
A esses governantes e validos remonta a mediocridade cinzenta e mesquinha que haveria de perdurar por séculos, para desgraça da Pátria e desgosto de quem tudo deu por ela.
As viúvas e os órfãos, com as suas lágrimas, mais salgaram ainda o salgado mar.
Os avisados Velhos do Restelo não foram ouvidos, mas nem os excessos nem os erros poderão empequenecer a glória de que muito nos orgulhamos.
Não há saudosismo em quanto digo, apenas, sim, há o desgosto de não mais termos conseguido fazer por merecer tamanha grandeza. E aqui me socorro de Fernando Pessoa que, na sua «Mensagem», apela a que busquemos, hoje, de novo, a distância. E cito de cor: «Do mar ou outra, mas que seja nossa!»
E se conquistarmos, hoje, uma outra distância, poderá ser um objectivo de realização deveras problemática, um outro, de mais exíguas proporções será o de contribuirmos para a possível preservação da presença pátria nos quatro cantos mundo, obtida que seja a devida autorização das autoridades governamentais dos países onde ainda nos perpetuamos.
Admito que sejam escassos os nossos recursos financeiros, mas não o serão os recursos humanos. Há muitos portugueses aposentados que de bom grado rumariam a essas pa-ragens e se ocupariam, quase sem custos acrescidos, do muito que há a fazer. Assim as autoridades pátrias o reclamem.
Como aposentado, digo: presente! E sei que não estou sozinho!
Finalizando:
 Não sei como será recebido este livro. Até poderá ser entendido como um malamanha-do ramalhete de versos. Que seja! Não busco louros nem nunca enverguei a jactância de me considerar um talento das Letras pátrias.
Com este livro apenas cumpro um dever de gratidão. E esta minha atitude terá de ser respeitada. É pouco o que dou? Talvez seja pouco, muito pouco, mas dei o que pude. E se mais não dei foi porque não pude mais.
Ou dizendo de outra maneira, e parafraseando Camões: Se mais pudera, mais dera! 
José-Augusto de Carvalho

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Sábado, Maio 30, 2009

2.4 - «O LIVRO DE HORAS DE GABRIEL DE FOCHEM» * O escravo da gleba


O dia por haver ainda demora.
Estremunhado, o homem levanta da enxerga um corpo exausto por séculos de servidão.
É noite ainda… e já à sua espera mais um dia de suor!
Sob o setestrelo, come, maquinalmente, ao ritmo do temor de chegar atrasado ao nascer do sol.
Está ausente de si mesmo e nem sabe por quê.
Não pensa e não sabe por quê.
Nem sabe que é perigoso pensar! Para os que estavam… Para os que estão… Para os que se preparam para estar vigiando as ovelhas do rebanho, que, resignadas, no redil ou no adil, obedecem ao cão e ao pastor…
 
 
José-Augusto de Carvalho
14 de Março de 1996.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
Da colectânea em preparação: «O Livro de Horas de Gabriel de Fochem
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Quinta-feira, Maio 21, 2009

2.0 - TEMPOS DO VERBO * Era o tempo parado

E tanto por dizer ficou estrangulado
nas malhas do silêncio azul e da clausura!
Do risco de falar ao de ficar calado,
medrava em cada olhar o esgar duma censura.

Era o Tempo parado
dos altares pagãos,
onde foi imolado,
por atávicas mãos,
o devir revelado.

Difusa, em cada esquina, a sombra desenhava,
na mancha que sangrava as pedras da calçada,
o desvario que, insone e plúmbeo, procurava
a brisa que trazia a nova perfumada.

Era o tempo parado
dos desígnios fatais
dum fantasma danado
a negar os sinais
do devir revelado.

Ah, meu amigo, e tu nos longes por haver,
ainda do silêncio infausto tão distante,
vivias, no mistério, a sedução de ser
um astro mais do céu, a lucilar, errante.

Era o tempo parado
da vergonha de nós,
no estertor resignado
e no medo sem voz
a render-se calado.

Chegaste, agora, são e salvo, e o tempo é teu!
Bem-vindo sejas! Vem, no tempo que em ti cresce,
ser mais um cravo-Abril, que o dia amanheceu!
E deixa-te orvalhar de auroras e floresce!

José-Augusto de Carvalho
19/5/2009
Viana de Fochem*Évora*Portugal

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Domingo, Abril 19, 2009

2.2 - À LAREIRA DO SOL * Crepuscular

          
 

El viejo, de Pablo Picasso

Chegado ao fim da estrada,
a paz que desce, fria,
apenas pressagia
antemanhãs de nada.

Agora, o dia a dia
duma espera nevada
vestiu-se, resignada,
de ocasos de invernia.

Na pernas, o cansaço.
Nos olhos, o sem fim
esculpe, no marfim,
o impossível que abraço:

e o testemunho passo
aos outros eus de mim…

José-Augusto de Carvalho
18 de Abril de 2009.
Viana de Fochem*Évora*Portugal

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Quarta-feira, Abril 15, 2009

2.2 - À LAREIRA DO SOL * A palavra

 
    A palavra, suspensa, balouça
    ao sabor dos afagos da brisa
    e, num vago murmúrio, precisa
    proibidos anseios de moça…
 
    É o fruto em promessa da flor,
    suculento, a sonhar-se maduro.
    Ai, anelos do tempo futuro
    de ousadias de estios de ardor!
 
    E a palavra é mulher e fascina!
    E o feitiço entontece e cativa!
    E o poema, nas formas a haver,
 
    encandeia-se na tremulina
    que, gaiata, se dá e se esquiva,
    balouçando entre o ser e o não-ser…
 
 
José-Augusto de Carvalho
21 de Março de 2009.
Viana de Fochem*Évora*Portugal
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Terça-feira, Abril 14, 2009

2.2 - À LAREIRA DO SOL * Cantilena

       

                  Sempre no meu peito,
                  aroma da flor,
                  meu amor-perfeito,
                  meu perfeito amor.
 
                  E sempre, na cor,
                  o perfeito encanto
                  da graça da flor
                  que encantado canto!

                  Nesta condição
                  de querer-te tanto,
                  quero ser o chão
                  onde, em mim, te planto!
 
                  Medra no meu chão,
                  minha flor de encanto,
                  e o meu coração
                  envolve em teu manto!
 
                  E quando eu me for,
                  que ainda em meu peito,
                  vicejes, em flor,
                  meu amor-perfeito!

José-Augusto de Carvalho
26 de Março de 2009
Viana de Fochem*Évora*Portugal

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Sexta-feira, Março 13, 2009

2.0 - TEMPOS DO VERBO * O Fado

    Cumprida a rotação,
    marcava mais um dia o calendário.
    E sempre este fadário
    de versos na tristeza da canção.

 
    É noite, agora? Ou dia? Quem o sabe?
    Dolentes guitarradas
    gemem desesperadas
    no tempo do silêncio que lhes cabe.
 
    A voz se solta rouca e chora o canto
    fatal do sofrimento,
    enquanto o xaile negro, em negro manto,
    enluta o desespero do lamento.
 
    E assim, no desencontro da existência,
    monótona se cumpre a rotação,
    sofrida no fadário da cadência
    que marca o calendário da canção.
 

José-Augusto de Carvalho
6 de Março de 2009.
Viana de Fochem * Évora * Portugal
Quadro «O Fado», do pintor José Malhoa
*
José Vital Branco Malhoa
(Caldas da Rainha, 28 de Abril de 1855 – Figueiró dos Vinhos, 26 de Outubro de 1933),
Pintor, desenhista e professor português.
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Sexta-feira, Março 6, 2009

4.7 - OS MEUS AMIGOS * OUTONAIS (poemetos)


 

01)

O feto, o que diria

Se pudesse falar?

(Prometo nunca mais Amar!)

02)

As etiquetas

Denunciam

O defeito de fabricação

É de quem veste a roupa

03)

Eu te escrevo, Vida

Como um louco escriba

Delata a própria sobrevivência

Em carne viva

04)

Itararé não existe

É a mais pura ilusão

Palco iluminado alegre & triste

Na cor púrpura do meu coração

05)

Era tão mal falada

Que só tinha uma saída

Ir morar lá na Índia

Para então ser sagrada

06)

Rio-me de mim

Quando me vi, verme

07)

As goteiras

São estrelas

Que, por sê-las

Esqueceram de usar rímel

08)

No dia que vim-me embora

Meu pai não cabia em si

E minha mãe chorava, chorava e chorava

Enxugando as lágrimas numa avental sujo

De pimenta cumari


Silas Corrêa Leite
Estado de São Paulo, Brasil

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